segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lavando o carro


Existe uma antiga lenda que diz que toda vez que lavamos o carro chove. Não sei quanto aos outros mas essa porcaria sempre ocorre comigo.



Hoje minha noiva e eu resolvemos lavar nosso carro (primeira vez que fazemos isso, pois acabamos de comprar). É aquela coisa: domingão, estávamos sem fazer nada, quase dormindo de tédio, o carro sujo, e lá vem a bendita idéia. Olho para fora, o céu está lindo, aquele azulão, nenhuma nuvem, dia perfeito pra realizar a tarefa (o pobre veículo estava precisando, pois havia enfrentado chuva e barro durante a semana).

Pegamos todo o necessário: esponja, sabão, panos, mangueira, baldes e saímos pro quintal. Puxei o carro para trás.

 “Coloca ele embaixo da sombra se não a gente vai se queimar”.

“Mas amor, embaixo da arvore vai ficar caindo folha em cima dele...”

“O sol ta muito quente, vou me queimar toda. Ou você coloca ele ali ou eu volto pra dentro”.

“Ta bom, eu lavo sozinho”

“Anda logo!”

Contrariado coloquei o carro embaixo da árvore. Começamos a lavar. Eu e minha noiva temos um pequeno problema para fazer certas coisas juntos: eu adoro brincar e ela odeia. Na hora me veio a brilhante idéia de tacar água nela, para descontrair.

“Você tem merda na cabeça? Não ta vendo que eu to gripada? Blábláblá”.

Vamos cortar o restante do diálogo por que realmente a idéia não foi muito das brilhantes.

Um outro problema que temos ao fazer certas coisas junto é porque nenhum de nós é do tipo que concorda com a opinião do outro.

“Você ta fazendo errado”.

“Mas que porcaria, você só sabe criticar... não ta vendo que assim vai dar certo”.

“Acho melhor você me deixar fazer”.

“Porque você não vai pra...”.

Digamos que nenhum de nós tem muita paciência, mas mesmo assim chegamos ao um denominador comum: precisávamos terminar logo porque as folhas da árvore estavam caindo sobre o teto recém lavado.

Terminamos o serviço e lavamos a calçada. Com os ânimos acalmados, afinal estávamos cansados, vimos desconsolados a chuva começar a pingar sobre o recém lavado automóvel.


Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Animais no hospital

Normalmente não me sinto humano indo a um hospital, me sinto mais como um animal. As pessoas te olham de cara feia e só desejam te espetar uma agulha no traseiro e te mandar embora.

Porém sábado me senti gente por alguns minutos em um hospital. Cheguei reclamando de gripe e em cinco minutos havia um médico super-atencioso com um estetoscópio em minhas costas me pedindo para respirar profundamente. Não era a gripe A. Deixei a sala portando um papel no qual estava escrito em letras garrafais "GRIPE NORMAL" e mais abaixo a indicação de um remédio para ser aplicado na veia.

É incrível como me tornei bicho em questão de minutos. No balcão uma enfermeira bateu um olho assustado sobre a palavra gripe, mas se acalmou rapidamente ao ler a palavra normal... Se acalmou tanto que me deixou em pé por quinze minutos.

Depois dessa experiência gratificante , na qual minha paciência foi testada, fui mandado a uma sala e orientado a sentar... Por quinze minutos esperei outra vez! Quase latindo tive uma agulha espetada na veia por uma senhora septuagenária que gostava de palavras no diminutivo. Esperei vinte minutinhos tomando um "sorinho" e sai de lá como um cachorrinho.

Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O frio que atinge o hemisfério mais baixo

O soco atingiu em cheio o nariz. Desequilibrou-se e atingiu o solo com força. Sentiu o gosto da lama na boca, o chute que se projetava em direção ao rim foi previsível, porém na situação que se encontrava não conseguiu se defender a tempo. A dor era muito forte. Um vulto que lembrava muito um pé veio mais uma vez, dessa vez na direção do rosto... PORRA!! Retirou forças do palavrão e rolou para a esquerda... Bateu a cabeça em uma pedra... Merda! O chute na garganta foi o golpe de misericórdia...

As pálpebras abriram lentamente... tudo estava muito escuro e não fazia sentido... Sentiu os pés gelados... Aos poucos foi recobrando a memória dos últimos instantes – ou horas, não tinha certeza de quanto tempo passou.

Foi se levantando... O vento parecia mais gelado que de costume da cintura para baixo... O outro tinha lhe roubado o tênis e a calça... estava só de cueca e camiseta no meio do nada...



Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste