- Boca suja? E isso lá é brincadeira que se faça? Quase tive um treco! @#*$%&!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
E não é que caiu?
- Boca suja? E isso lá é brincadeira que se faça? Quase tive um treco! @#*$%&!
sábado, 31 de outubro de 2009
Acidente com tratamento acidental
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Uma violência contra a natureza humana
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Stand-Up comedy em tiras
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Vontade de escrever
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Lavando o carro
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Animais no hospital
Porém sábado me senti gente por alguns minutos em um hospital. Cheguei reclamando de gripe e em cinco minutos havia um médico super-atencioso com um estetoscópio em minhas costas me pedindo para respirar profundamente. Não era a gripe A. Deixei a sala portando um papel no qual estava escrito em letras garrafais "GRIPE NORMAL" e mais abaixo a indicação de um remédio para ser aplicado na veia.
É incrível como me tornei bicho em questão de minutos. No balcão uma enfermeira bateu um olho assustado sobre a palavra gripe, mas se acalmou rapidamente ao ler a palavra normal... Se acalmou tanto que me deixou em pé por quinze minutos.
Depois dessa experiência gratificante , na qual minha paciência foi testada, fui mandado a uma sala e orientado a sentar... Por quinze minutos esperei outra vez! Quase latindo tive uma agulha espetada na veia por uma senhora septuagenária que gostava de palavras no diminutivo. Esperei vinte minutinhos tomando um "sorinho" e sai de lá como um cachorrinho.
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O frio que atinge o hemisfério mais baixo
As pálpebras abriram lentamente... tudo estava muito escuro e não fazia sentido... Sentiu os pés gelados... Aos poucos foi recobrando a memória dos últimos instantes – ou horas, não tinha certeza de quanto tempo passou.
Foi se levantando... O vento parecia mais gelado que de costume da cintura para baixo... O outro tinha lhe roubado o tênis e a calça... estava só de cueca e camiseta no meio do nada...
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Os efeitos...
Aquilo foi por pouco. Mas que louco jogaria um relógio pela janela – ainda mais um daquele tamanho. Olhou curioso para o mecanismo, parecia continuar funcionando mesmo depois de despencar de, pelo menos, dez andares. Bobagem, estava parado! Devia ser a ressaca do sono. Quando acordou jurava que tinha dormindo o dia inteiro, mas depois de sair para a calçada viu que eram ainda nove horas.
Um homem de estatura mediana irrompeu pela porta do edifício e tomou as partes do mecanismo, mexendo desesperadamente nos ponteiros e engrenagens, quase chorando. Um comportamento deveras curioso, mas não podia ficar ali olhando o que aconteceria pois já estava atrasado. Continuou a caminhada rumo ao serviço, as pessoas ao seu redor pareciam um pouco pasmas, como se não entendessem alguma coisa. Ouviu claramente uma mulher comentar enquanto passava por um salão de cabeleireiros “Como é possível, mas já era tão tarde”. Essas pessoas devem estar ficando loucas...
A caminhada foi gratificante, se sentia vivo. Avistou a construção e os companheiros com quem trabalhava, todos muito sujos e exaustos - algo muito estranho para pessoas que tinham começado a trabalhar a pouco mais de uma hora - conversando entre si e olhando para o céu e para os relógios. A obra em si também estava muito mais adiantada do que deixara no dia anterior, os outros operários não conseguiriam fazer aquilo em apenas uma hora. O que estava acontecendo...
Começaram a explicar, todos falando ao mesmo tempo... uns falavam em demônio, outros mais instruídos em extraterrestres... Chegou a conclusão que todos deviam ter bebido muito na noite anterior, assim como ele, mas que não dormiram tão bem. Foi em direção ao armário, guardou a marmita, vestiu o jaleco, colocou o capacete e munido das ferramentas rumou em direção ao elevador: tinha que prender uma viga de aço no último andar.
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Personificação ou Prosopopeia
Olhou desconsolado para o teto, não podia ficar o dia inteiro vigiando o relógio... faltavam ainda duas horas para ir embora... isso se o maldito marcador não começasse a voltar o tempo. Bobagem, foi uma simples ilusão de ótica.
Levantou de sua cadeira, deu uma olhada ao seu redor, janelas, mesa, um pequeno sofá no canto direito. Encarou o relógio com a melhor cara de mau que conseguia fazer... o espertinho trabalhava na direção correta. Havia se passado um minuto, somente um minuto. Uma vez leu em algum lugar que o tempo era psicológico, ficou pensando qual seria a reação do chefe se lhe dissesse que psicologicamente já havia dado a hora de ir embora. Era provável que ele o mandaria de volta para a sala, o maldito empregador não tinha a menor sensibilidade para entender de assuntos psicológicos.
Cruzou a porta em direção a máquina de café, encheu um copo grande e voltou a sala. “Melhor ficar de olho no relógio”. Sentou-se enquanto dava pequenos goles na bebida produzida a partir dos grãos torrados do fruto do cafeeiro... Encarou o relógio sem acreditar no que via. O arremedo de Big Ben estava calmamente rodando seus ponteiros ao contrário, além de que agora parecia dotado de olhos e um sorriso que se erguia maquiavélico do 9 ao 3. Esfregou e apertou os olhos com força, devia ser aquele mormaço da tarde que estava causando o delírio. Porém, ao abri-los novamente o sorriso lunático continuava esculpido no outrora sisudo aparelho, dando forma a uma careta horrenda. Levantou-se de um salto em direção a pequena comoda onde o ser prosopopeico se encontrava, porém este saltou de sua base e disparou em corrida, cada vez girando mais rápido seus ponteiros para o lado oposto ao que os relógios normalmente giram. Iniciaram uma corrida de obstáculos pelos corredores do escritório.
As pessoas corriam para a porta de suas salas ao ouvir semelhante estardalhaço. Olhou pela janela e contemplou horrorizado que a medida que o relógio realizava a angustiante tarefa de girar ao contrário o próprio sol fazia o caminho inverso... voltou o olhar para o relógio central: o mesmo já marcava nove horas da manhã, e continuava voltando, porém não possuía olhos ou sorriso maldoso. Nesse intervalo no qual observava os efeitos ao seu redor perdeu de vista o pequeno ente endemoniado. Correu os olhos mais uma vez ao redor e localizou-o. Estava utilizando os ponteiros para abrir uma janela.
Começou uma corrida desenfreada em direção a abertura no elemento de vedação arquitetônica, porém pressentia que não havia mais solução. Estava a poucos metros... Contrariando por um instante a todos os maus pressentimentos ele acreditou que conseguiria... só não contava com o aparecimento de Dona Gertrudes que atraída pela algazarra saíra de sua sala no exato momento em que ele estava chegando a janela... uma colisão ocorreu levando os dois seres humanos ao chão. O pequenino relógio olhou-o, possuía um sorriso satânico que foi seguido de uma gargalhada infernal. “NÃOOOOOOOOOO!!” Mas não havia nada que pudesse ser feito, o mecanismo saltara pela janela e se esborrachara na calçada. Só restava agora reviver aquele dia maçante, e ficar vigiando atentamente os outros relógios.
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
*Aroldo Pereira da Rosa é aluno do curso de letras da UEM, porém não é uma gramática humana e pode cometer erros. Ele não fará aqui nenhum comentário sobre o texto.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
O Assassino Silencioso
“Miserável, você vai morrer!” Mas não havia muita certeza em sua voz. Ergueu a espada até o nível dos olhos, o mesmo movimento de antes, sabia que não ia surtir efeito... reuniu suas forças e iniciou uma corrida até o oponente, ergueu a espada sobre a cabeça e antes que pudesse desferir o golpe a lâmina do Assassino atravessou seu estomago... foi um golpe rápido, a morte seria rápida, mas nem por isso limpa. Caiu de joelhos, o inimigo parou ao seu lado. Ele não acreditou que o outro faria aquilo, ele já estava praticamente morto... “É sua outra marca não é mesmo?”. Um golpe arrancou um braço... depois o outro... uma dor aguda e um pedaço da cabeça voou junto com a orelha... a dor era insuportável. Aos poucos foi perdendo os sentidos.
...
Após esquartejar o adversário o Assassino Silencioso caminhou em direção ao por do sol... sabia que tinha criado mais inimigos, pois alguém iria querer vingar a morte desse garoto. Não sabia muito daquele moleque, deveria ter por volta de quatorze anos e treinava em uma escola de espadachins famosa... Seus mestres eram habilidosos, o garoto também era... o prazer que sentiu ao matá-lo era indescritível, tirar a vida de alguém que tanto tinha pela frente, de alguém que tinha sonhos, esperanças e um futuro... Recolheu uma das orelhas - caprichosamente enfeitada com um brinco verde - e colocou no bolso do sobretudo... iria para a coleção juntamente com as outras... Olhou mais uma vez para a vítima, o vento moveu os cabelos castanhos do garoto, e seus belos olhos rolaram por sobre a grama... era a melhor sensação do mundo... E silencioso como sempre sumiu...
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
* Aroldo Pereira da Rosa sabe que esse texto não é lá muito bom... mas adorou escrevê-lo
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Definindo os padrões
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Escrever é Perigoso
Estudos sobre o diálogo entre diversos textos são encontrados na obra de Bakhtin, que teve suas idéias estudadas por Fiorin (2006) (fonte da qual se utiliza esse texto). Em um pequeno resumo esses estudos mostram que a linguagem não é formada somente na estrutura do diálogo face a face, mas por todos os textos que o indivíduo leu e experiências pelas quais passou. Aquilo que falamos é formado por todos os outros diálogos com os quais já tivemos contato. Tome por exemplo esse texto, ele abre diálogo para a teoria Bakhtiniana. Um texto pode abrir diálogo para várias formas de informação.
Um outro exemplo, e que será o objeto de análise dessas parcas linhas, é o texto literário. Ele abrirá diálogo com infinidades de outros temas, formados pelo conhecimento de mundo do autor. Obviamente para perceber estes diálogos é necessário conhecer tais temas.Assim, como de nada adianta ter um enorme conhecimento de teoria sem mostrar como ocorre na prática, vou tentar demonstrar como ocorre isso na prática. Um exemplo que demonstra com extrema perfeição esse diálogo é “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, livro que estive lendo recentemente por motivos que não cabem ser escritos aqui. O livro retrata a história de Fabiano e sua família (sua esposa Sinhá Vitória, seus dois filhos que não possuem nome e sua cachorrinha Baleia) e sua vida pobre e miserável pelo sertão. E aqui, antes de continuar a explicar o diálogo abrirei um parêntese para alguns pontos muito interessantes sobre a obra.
Abre parêntese!
Primeiramente, essa obra é um romance de espaço.
Um o quê?
Um romance de espaço seria, segundo Aguiar e Silva (1968), um romance no qual o espaço praticamente age no texto tamanha é sua importância. O espaço de Vidas Secas é o antagonista de todo o texto, tudo que ocorre ali é causado pelo sertão. Se não fosse naquele espaço não haveria história, toda a questão política, cultural, geográfica, move os personagens.
Em segundo lugar, as personagens são planas, e antes que você possa me olhar com aquele olhar atravessado muito parecido com um ponto de interrogação explicarei. Aguiar e Silva classifica personagem plana como aquela que não apresenta nenhuma aprofundamento psicológico e que não altera sua forma de ser, de agir de pensar, permanecendo a mesma do início ao fim da história. As personagens em vidas secas não mudam seu modo de ser, sua vida é a mesma, seus desejos são os mesmos do começo ao fim.
Um outro ponto: As personagens não falam. Esta é uma das críticas presentes na obra: o sertanejo não consegue se expressar, não consegue se defender, agredir nem se fazer entender através da linguagem. Mas como assim, eu li Vidas Secas e tenho certeza de que Fabiano fala a obra inteira. Isso é um recurso utilizado de uma forma belíssima por Graciliano Ramos: o discurso indireto livre. O autor coloca as palavras dos personagens no meio da fala do narrador sem aspas, travessão ou expressões como “falou”, “disse”, etc.
Fecha Parêntese!
Para que isso? E onde isso se relaciona com o diálogo? A desculpe se, ao contrário de Graciliano, me enrolei nas palavras e escrevi além do necessário. Mas esses pontos serão extremamente importantes para o entendimento do que vem a seguir – bom creio eu que serão. Talvez ao ler você ache totalmente sem necessidade. Então quando for recomendar esse texto a alguém você poderá recomendar a pessoa que pule este parêntese. O autor abre diálogo com vários temas. Se me fosse dado a possibilidade de eleger alguns para discussão eu colocaria em primeiro lugar a questão do poder intelectual. A todo o momento Fabiano se compara com alguns personagens, que não aparecem no decorrer da obra, e que por deterem o domínio da linguagem conseguem ter uma vida melhor que a dele. Fabiano, assim como os outros personagens humanos, é trazido ao nível de um animal, e é assim que ele se sente. Ele se sente o tempo todo roubado, enganado, diminuído seja pelo poder patronal – as contas do patrão nunca batem com a de Sinhá Vitória – seja pelo poder político – ele não consegue nem ao menos vender suas coisas na cidade pois tem que pagar exorbitantes impostos – ou pelo poder policial – o soldado amarelo o agride, o prende – e ele não pode nem revidar pois não é nada mais que um bruto, um bicho. Para tornar seus personagens mais próximos de algo real o autor faz uso do fluxo de consciência, técnica que ao ser utilizada representa os conteúdos e processos psíquicos da personagem, como nos diz Humphrey (1976). O fluxo de consciência pode ser formado por até quatro técnicas: monólogo interior direto, monólogo interior indireto, solilóquio e descrição de autor onisciente, sendo esta ultima a única obrigatória para existir o fluxo de consciência. Em vidas secas encontramos o fluxo de consciência através das formas de monólogo interior indireto e descrição de autor onisciente. Um exemplo ótimo de fluxo de consciência é o final do capítulo Baleia, onde a pobrezinha agoniza com pensamentos soltos, que realmente parecem ser produzidos em um pensamento de alguém agonizante.
Para fechar esse texto não poderia deixar de dizer que Vidas Secas é um romance pertencente ao Regionalismo de 30, uma época cheia de conflitos, de polarização entre esquerda e direita. É o romance chamado de Neo-Realista, onde as desigualdades sociais aparecem, por isso o retrato da vida como ela ocorre no sertão, por isso esse diálogo, por isso a escrita simplista. E antes que você comece a bocejar me despeço com um até breve e o desejo que tenha sido claro em minhas idéias.
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
*Aroldo Pereira da Rosa escreveu este texto para um trabalho de Literatura Brasileira.
Sinal vermelho
Sinal vermelho!
A sensação era ótima. Liberdade pura. Não havia outra forma de definir o sentimento que invadia sua alma naquele momento. Um garoto que não devia ter muito mais do que dezoito anos, acelerando o tempo todo como que para todos verem que ele estava ali... em cima de sua moto indo para a casa da namorada...
Até uns tempos atrás você não o veria tão feliz... tinha reprovado em seu primeiro vestibular, um golpe muito forte para quem tinha absoluta certeza de como sua vida transcorreria depois do ensino médio. Vários amigos haviam conseguido entrar na tão sonhada universidade e estavam festejando, enquanto ele compartilhava uma sala de cursinho com mais alguns desafortunados. Foi ali que ele a conheceu... Antes dela nenhuma garota havia demonstrado interesse por ele... um nerd baixinho e cheio de espinhas... mas ela leu através disso... Era algo inacreditável... Tudo parecia dar certo depois dela... Passou no vestibular, tirou a carteira de motorista... ganhou uma moto do pai...
Era a primeira volta que ele dava em sua moto nova... não tinha contado pra ela ainda, queria fazer uma surpresa. Ainda nem abastecera a moto, ela estava com o pouco de combustível que eles colocaram na concessionária, uma quantidade tão pequena que enquanto esperava o semáforo abrir – acelerando ansiosamente – a moto entrou na reserva. Girou a pequena chave na parte inferior do tanque de gasolina – lado esquerdo de quem esta montado – e pisou com força o pedal de ignição... não funcionou. Tentou mais uma vez, ainda faltava prática... funcionou.
“Tenho que passar no posto”.
Finalmente o sinal abriu. Acelerou, soltou levemente a embreagem, ergueu o pé do chão... saiu com classe, acelerou firme... mudou a marcha... mais uma aceleração, engatou a terceira... a moto acelerava com graça e força... ele sentia que nascera para pilotá-la. O vento entrava pela viseira de seu capacete, “logo logo eu chego”...
Um senhor embriagado guiando uma bicicleta trouxe seu pensamento de volta ao chão... Foi uma sequência muito rápida mas que para ele passou como em câmera lenta... a bicicleta que estava sendo guiada pela margem direita da rua parecia não obedecer mais seu dono, uma vez que vinha de forma violenta para o meio da rua não importando o quanto seu bravo piloto pendesse o corpo para a direita ou tentasse virar seu guidão. O pânico se instaurou pelo garoto, queria frear mais sua mão congelara no acelerador, não conseguia tampouco mudar a direção da motocicleta, que parecia compartilhar com a bicicleta a mesma atração pelo centro da rua... Em meio a gritos um choque ocorreu...
O garoto viu o rosto assustado do velho homem, com seus olhos arregalados, uns dois metros antes de acertar a roda dianteira de uma bicicleta muito enferrujada... após o impacto a moto desequilibrou, vários palavrões ficaram presos dentro do capacete pois a viseira abaixara... a motocicleta pendera para a esquerda, o joelho do jovem tocou o asfalto seguido por sua mão e o resto de seu corpo... a perna esquerda – a do joelho que tocara o asfalto – ficou presa sob a moto durante o arrastar... o capacete mal amarrado foi se soltando... soltando... até que foi visto rolando para o lado oposto ao acontecido, como se quisesse se abster da visão. A cabeça desprotegida encontrou o asfalto...
Um rastro de cabelo e sangue levava até um garoto estirado sob uma motocicleta azul... as pessoas ao redor olhavam assustadas... o rapaz tinha tentado levantar mas alguém correu ao seu encontro e o forçou a ficar deitado, “ei, se mexer só vai piorar... fica quietinho, a ambulância já está chegando”... Mas ele não podia ouvir... as vozes ao seu redor estavam estranhas... não conseguia distinguir as pessoas, só via vultos escuros... O que será que tinha acontecido ao velho... tentou olhar ao redor mas a cabeça pesava muito... o vento era gelado... seu corpo de repente perdeu o peso... as vozes ao seu redor foram cessando... o medo foi abandonando-o, e apenas o que restava era o vento gelado que tocava seu rosto... sentia-se livre... a sensação era ótima...
Em uma esquina próxima o sinal fechou...
Aroldo Pereira da Rosa – O Chiste
*Aroldo Pereira da Rosa é apaixonado por motos e já sofreu um acidente, mas sobreviveu para poder continuar entupindo a internet de textos sem fundamento
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O templo
Afinal, porque precisava ela respeitar essa rotina... aquilo era atordoante, seu pequeno cérebro de ave não suportava aquele pensamento, afinal toda a sua vida fizera aquele percurso, aprendera aquilo com sua mãe... todo dia pela manhã ela pegava todos os pintinhos e os levava até ali... quase todos morreram atropelados, ela foi a única que aprendera o caminho e os macetes para se sobreviver durante o percurso. E até hoje ela continuava, mesmo depois que sua mãe virou aquela canja para o menino doente.
Enquanto pensava recomeçou a caminhar. Cada degrau era muito grande e ela tinha que dar pequenos pulos e abrir levemente as asas para não se cansar muito, eram pequenos vôos... quantas vezes quis ela voar de verdade mas por estar presa em sua pequena estrutura de galinha não podia liberar o seu espírito de pomba... a essas sim que são livres.
Chegou até o topo, vislumbrou a entrada, e bem ao fundo a imagem de um homem em uma cruz. Aquela imagem a fazia ter vários pensamentos. Uma vez a mãe a explicara quem era o homem, e o porque de ele estar ali naquela cruz... ela conseguiu sentir mais nojo ainda do ser humano do que no dia que descobriu que ela poderia a qualquer momento virar o prato do dia. O homem é desprezível...
Foi entrando o recinto, o pensamento continuava a confundir sua cabeça e seus sentimentos. Resolveu deixá-lo de lado e aproveitar a visita, já estava ali mesmo e de nada adiantava ficar se debatendo em dúvidas... fica pra amanhã cedo decidir... Principalmente porque algo lhe chamara a atenção quando entrara na igreja, a um canto havia vários animaizinhos, e no meio de vários homens com cajados nas mãos - além de outros que, como ela, possuíam asas - havia um casal e um lindo bebe. Aquela imagem a encheu de alegria, olhou pra fora e viu que em durante todo o seu caminhar se passou um dia inteiro... o sol já tinha se escondido e lindas luzes piscavam lá fora... Ela não caminhava até ali simplesmente por caminhar, sua mãe lhe ensinara os valores cristãos - tinha muita fé ela, e provavelmente hoje estava no céu a olhar por sua filha.
As celebrações era o que motivava a pequena galinhazinha a fazer todo dia o perigoso trajeto - perigoso pois tinha no caminho uma rua - e chegar até ali. E hoje era o dia da celebração que ela mais gostava, uma missa que começava mais tarde do que o normal... e que nós seres humanos apelidamos de "missa do galo".
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste
*Aroldo Pereira da Rosa teve um ótimo dia de folga hoje e esgotou toda a sua cota de textos envolvendo galinhas.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Um certo dia pela manhã...
Seus pequenos olhos focalizaram o alvo, a estranheza que pairava em sua mente deu lugar a um antigo sentimento, reconhecera o local e lembrara do objetivo.
Ela havia saído de manhã meio que sem rumo, caminhava no meio de pessoas apressadas que não entendiam o que se passava dentro dela, seus sentimentos eram sufocados por passos rápidos, constantemente ela tinha que desviar dos outros, ninguém desviava dela, era como se ela não existisse. Algumas vezes trombavam nela, e nem se davam ao trabalho de parar para ver como estava, pedir desculpas... criara o hábito de desviar e continuar andando sem olhar para trás...
E mais uma vez ela chegou ali, olhou para um lado, para o outro, havia um pouco de cautela, respirava forte, seu coraçãozinho batia rápido - não sabia se devido a caminhada ou a excitação do momento que se aproximava – pos um pé na rua, lentamente... VUUUMMMMM, um carro que passou muito rápido a fez recuar, como sempre ninguém notou sua presença... olhou ao mais uma vez de forma atenta e, enfim confirmando que poderia, começou a atravessar...
Afinal, a galinha precisava chegar ao outro lado.
Aroldo Pereira da Rosa – O Chiste...
* Aroldo Pereira da Rosa é aluno do curso de Letras Port/Inglês da Uem e adora piadas que envolvam bichos...
O primeiro post...
Sempre gostei de escrever - é um gosto antigo que vem desde que eu aprendi a transcrever, em caixa alta, a primeira letra do alfabeto – e sempre tive vontade de escrever em algum local que outras pessoas, muitas vezes pessoas que eu nem conheço, tivessem a possibilidade de ler o que eu escrevo.
Inicialmente pensei em ser escritor de romance, sempre amei ler e inventar histórias, mas esta vontade não se mostrou muito prática. A pouco tempo eu consegui entender o motivo e me achei muito estúpido de não o ter entendido antes, afinal como perceberão é uma questão muito simples.
Lembro que estava em uma aula de literatura portuguesa, no segundo ano da universidade, estava cansado e o assunto não me animava muito – odeio admitir, mas tenho o grave defeito de começar a viajar por universos míticos durante as aulas com muita facilidade, e isso se reflete em muitos desenhos que faço em meu caderno – e foi quando a professora falou algo que me chamou a atenção, nunca conseguirei me recordar do contexto, uma vez que meus pensamentos estavam totalmente focados no papel, onde tentava eu de forma insistente transformar em histórias em quadrinhos um livro que havia lido. A frase era simples, e dizia somente: “várias pessoas dizem: minha vida dá um livro. Mas resta saber: será que é um livro bom? Será que a história seria contada de forma realmente interessante?”.
Acho que aquilo me atingiu como um raio: rápido, brilhante e barulhento. Eu enfim entendi o porquê de não conseguir escrever os romances que tanto borbulhavam em minha cabeça. É preciso saber fazer, de forma única, com habilidade, e isto definitivamente eu não consigo.
Logicamente apesar de ter conseguido entender o motivo somente a pouco tempo, a vontade de ser escritor morreu assim que algumas pessoas leram o primeiro conto e não gostaram... pensei em várias possibilidades nas quais eu mostraria as pessoas a forma como escrevo, mas sempre aparecia um ou outro obstáculo. Desisti de tentar sobreviver da escrita e tornei-a como minha forma de descontração, se estou cansado, estressado, ou qualquer coisa que termine com -ado e que seja ruim, sento na frente do meu computador e escrevo.
Sou ávido leitor de blog’s, e um dia pensei: porque não crio o meu? Assim, se alguém quiser poderá ler o que eu escrevo, se gostar poderá voltar e ler mais... Eis como surgiu a idéia de fazer o blog, nada muito útil para a humanidade, mas definitivamente uma ótima diversão para mim.
Até que para quem não sabia como fazer seu primeiro post, eu escrevi uma quantidade de linhas razoáveis...
Até a próxima postagem...
Aroldo Pereira da Rosa – O Chiste...
* Aroldo Pereira da Rosa ganhou o apelido de Chiste de uma pessoa muito importante, na época uma grande amiga e que em breve trocará com ele alianças e juras de amor eterno...
