sábado, 31 de outubro de 2009

Acidente com tratamento acidental

Eu estava parado na porta da loja onde trabalhava em 2007 quando um carro ignorou a placa de PARE e atingiu um motociclista que guiava sua moto pela Av. Brasil. Felizmente o rapaz não sofreu nada sério, a pessoa do carro também estava bem.




Essa cena em questão ficou marcada na minha memória, pois eu havia sofrido um acidente alguns meses antes. Fiquei pensando se o rapaz seria levado ao mesmo hospital que eu e sofreria um tratamento parecido.


Escrevi em um texto algum tempo atrás que nunca me senti gente em um hospital. Podem me chamar de resmungão, chorão (admito que eu o seja muitas vezes), mas a forma como as pessoas são tratadas deixa muito a desejar.


Mas vamos fazer da seguinte forma: eu lhes contarei minha indignante história, e vocês tirarão suas conclusões.


Eu colidi com um senhor septuagenário levemente alcoolizado que guiava uma bicicleta no meio da rua. A imprudência foi dele, mas acredito que hoje com algum tempo a mais de experiência eu teria evitado o acidente (fazia apenas uma semana que eu tirara a habilitação). Como qualquer jovem imaturo que acaba de se envolver em uma colisão com vítima fiz tudo o que não podia: levantei, corri, pulei, gritei, fui até o velhinho, tentei conversar com ele. Meus ferimentos não eram aparentemente graves: eu tinha um corte fundo no joelho, meu tênis direito esmigalhou durante os dez metros que arrastei e minha mão direita tinha um bom pedaço de pele pendurado, parecendo um toucinho.


Em poucos minutos o socorro chegou. Conversei com um dos bombeiros sobre o acidente, expliquei o que havia acontecido. Segundo ele o senhorzinho estava bem.


- Agora é ir ver como está o motoqueiro... Ele está embaixo da moto ou deitado em algum lugar?


- Mas... sou eu...


Sim, eu conversei durante uns cinco minutos com o indivíduo e ele não percebeu que era eu o motociclista. Eu mostrei meus hematomas e ele me perguntou se eu queria ir para o hospital. Era óbvio que eu não queria. Eu perguntei se era necessário, e ele disse que eu deveria decidir.


Aconselhado pelos transeuntes eu concordei em ir com os bombeiros. Fui levado ao hospital.


Foi um passeio muito interessante. Eu estava deitado em uma maca e em outra estava o ciclista idoso. Havia ainda mais dois bombeiros dentro do mesmo espaço. Um perguntava e o outro anotava. Em determinado momento o que perguntava exclamou:


- É acho que você perdeu uma calça...


- Que nada, ta na moda usar calça rasgada no joelho...


Chegamos ao hospital. Tirei radiografias. Nenhum osso quebrado. Ficaram na sala comigo dois enfermeiros: um homem e uma mulher, pouca coisa mais velhos que eu.


- Olha o joelho que feio.


- A, mas olha só a mão dele.


- O joelho está pior...


- Não a mão é que está


Eles discutiram isso um pouco depois disseram que logo viria alguém fazer a limpeza dos ferimentos. Depois de uns minutos entrou o rapaz do raio-x, trazendo o senhor/ciclista/bêbado/idoso/motivo de minha internação com ele. Ele não parecia estar nada bem.


- Como ele está?


- Como se tivesse sido atropelado...


Essa resposta aconteceu, e foi emitida pelo rapaz do raio-x. O enfermeiro o olhou de cara feia e explicou que apesar de não parecer ele estava bem. Após estas palavras o velho começou a ter uma convulsão e entrou em coma.


Após a movimentação de levar o pobre homem para a UTI, estávamos mais uma vez eu, os dois enfermeiros e o rapaz do raio-x naquela sala. O último não parecia ter nada para fazer, os enfermeiros mexiam com curativos, gases e coisas assim e eu esperava alguém limpar meus machucados para poder ir para o quarto. E sem um motivo aparente o responsável pelas radiografias exclamou:


- Pô cara... se o véio morrer é culpa sua em...


O enfermeiro exclamou uma palavra de baixo calão para retirar o excesso de peso dali, todos saíram e eu mais uma vez fiquei só. Estava estressado, queria poder ir para um quarto, quem sabe tomar um banho... Não via a hora de entrar alguém ali pra me libertar. Porém quando veio...


Cena1: Pense bem antes de prestar vestibular


Entra uma enfermeira... com todos os apetrechos... olha para o meu joelho, faz cara de nojo...


- Eu não posso fazer isso... ai que horrível...


E sai chorando...


Não, não é mentira. Isso aconteceu... Vamos para a próxima cena.


Cena2: O título seria um palavrão por isso não será escrito aqui


Entra outra enfermeira. Ela olhou para meus machucados e não saiu correndo... Fiquei tão feliz por isso... Como a felicidade é um sentimento ilusório às vezes.


- O seu joelho está muito machucado. Acho que o mais indicado é você mesmo limpar depois, ou eu vou acabar te machucando.


- Na sua mão eu vou passar um anestésico de 5%. E essa pele pendurada, ummm... eu não trouxe nada pra cortar... Ah eu arranco com a pinça.


Em primeiro lugar... não sei quem inventou o anestésico de 5%... mas vai te catar. Ela espirrou aquilo na minha mão, ardeu de sair lágrima...


Então ela cumpriu a segunda brilhante idéia... arrancar a pele pendurada com a pinça. Não vou dizer que doeu, não quero resmungar. Depois disso ela fez a limpeza, prendeu um pedaço de gaze a pinça e esfregou na minha mão. Não preciso dizer que a gaze não valeu de nada e era como se ela esfregasse uma agulha na minha mão.


Afinal fui levado ao quarto...


Como é possível perceber não foi uma tarde muito agradável. Espero que o rapaz que foi acertado por um carro no começo dessa história tenha recebido um atendimento melhor.


 
Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Uma violência contra a natureza humana

A chuva caía suavemente provocando um ruído gostoso que se juntava ao barulho do vento para embalar meus sonhos. Aliás, muitos sonhos, daqueles agradáveis que quando acordamos sentimos saudades... E isto tudo foi por água a baixo com o som do despertador me dizendo que a vida é dura e eu preciso acordar.


Eu não gosto de acordar cedo. Não acredito que seja um ato natural do ser humano. Melhor dizendo: não posso acreditar! Meu corpo me diz o contrário, é um momento tão triste, é quase uma violência... Se acordar cedo for um ato natural, eu sou de outro planeta.

Existem várias coisas relacionadas a acordar cedo que eu não posso acreditar. Uma delas é que há pessoas que acordam cedo e de bom humor. Já vi várias pessoas assim, mas não posso acreditar.

- Bom dia!!!!

- Bom dia por quê? A merda do céu ta azul, a porcaria do sol ta brilhando e tem um maldito passarinho que não para de cantar!

Meu pai acorda de bom humor... ÀS CINCO HORAS DA MANHÃ. Tudo bem, você deve estar me achando um chato, mas você também seria se no melhor de seu sono alguém ligasse um rádio em uma estação de música caipira, e começasse a cantar.

Eu odeio acordar cedo, e odeio mais ainda pessoas que não precisam acordar cedo. Acho isso muito injusto, pois enquanto eu tenho que enfrentar o trânsito e atender pessoas estressadas (que também tiveram que acordar cedo), elas estão lá, dormindo tranqüilas. Chego no trabalho e ligo para algumas delas, para tornar o mundo mais justo.

Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Stand-Up comedy em tiras


Olá meus caros, estou inserindo um novo tipo de conteúdo no blog: tiras... vamos ver o que acham. O personagem é H, um comediante (de qualidade duvidosa) e as hitórias são trechos de apresentações de Stand-Up Comedy dele:


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vontade de escrever

-  Que vontade de escrever...

- Então escreve!


Mas escrever sobre o quê... esta é sem dúvida a questão. Me debruço sobre a mesa... minha mão aperta firme a caneta... mas a idéia não vem. Tento moldar a palavra e dar a ela algum sentido. Mas isso não é possível, não esta na palavra o problema, mas na minha falta de idéias. A como eu queria ser como os grandes, eles sentavam-se diante da mesa escreviam suas memórias póstumas, seus sertões e histórias de mulheres alagoanas... Eu porém sou só um baixinho... A falta do que escrever é agoniante... começo a escrever mas não possuo um tema fixo, deixo as palavras soltas e elas tomam forma, porém a forma não me agrada.

Quando eu era criança e aprendi a escrever meu nome alguém disse: Pronto, agora já é um escritor. O engraçado é que na minha filosofia de criança eu me acreditava escritor, afinal já dominava a habilidade principal. Mas eu estava equivocado. Hoje percebo isso, afinal domino a escrita e nem por isso sou um escritor. Ser escritor é muito mais do que saber escrever e dominar a variante escrita da linguagem. Hoje eu sei que existem escritores que nem ao menos sabem escrever... O que define o escritor é a inspiração, existem pessoas que se tornam escritores em um minuto, e no outro o deixam de ser... Ser escritor é ser artista, contar uma história é como pintar um quadro... qualquer um poderá fazer se dominar a teoria, mas somente os que tem inspiração é que transcenderão o limite que separa o medíocre do eterno. A inspiração é uma musa que se deita com seus escolhidos, faz deles seus amantes e depois os deixa sem a menor cerimonia. Essa frase parecerá meio solta em meio as outras, mas não tenho sido escolhido como amante pela inspiração, então somente colo idéias soltas uma as outras, cabe a você decidir se elas servem ou não, se fazem sentido ou não.

Uma vez escrevi sobre uma galinha que não sabia o porque deveria atravessar a rua... é uma antiga piada, quando escrevi não possuía nenhum pensamento filosófico (não que em algum outro momento eu tenha possuído). Uma pessoa leu e fez uma análise da qual extraia significados daquela porcaria. Dizem que os sentidos de um texto são 50% do autor e 50% do leitor. Isso não tem importância, vamos para o parágrafo debaixo.

Eu adoraria que conhecimentos inúteis fosse uma matéria do meu curso superior. Eu tenho uma memória muito boa para assuntos inúteis. Não consigo lembrar a matéria da prova, mas posso te contar a história do Super-Homem Bizarro de trás pra frente. Li em algum lugar uma vez e nunca mais esqueci. Sei a história de muitos filmes, sei as críticas que li a respeito deles, mas não lembro o conteúdo de Marxismo e Filosofia da Linguagem.

Queria ter inspiração para escrever algo, que fosse no mínimo revolucionário. Não vou mentir, não tenho nem um pingo de humildade, se eu vou fazer alguma coisa essa coisa tem que ser grande. Acho que é complexo de baixinho. E acho que é melhor parar... escrever sobre nada cansa.

Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste