quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vontade de escrever

-  Que vontade de escrever...

- Então escreve!


Mas escrever sobre o quê... esta é sem dúvida a questão. Me debruço sobre a mesa... minha mão aperta firme a caneta... mas a idéia não vem. Tento moldar a palavra e dar a ela algum sentido. Mas isso não é possível, não esta na palavra o problema, mas na minha falta de idéias. A como eu queria ser como os grandes, eles sentavam-se diante da mesa escreviam suas memórias póstumas, seus sertões e histórias de mulheres alagoanas... Eu porém sou só um baixinho... A falta do que escrever é agoniante... começo a escrever mas não possuo um tema fixo, deixo as palavras soltas e elas tomam forma, porém a forma não me agrada.

Quando eu era criança e aprendi a escrever meu nome alguém disse: Pronto, agora já é um escritor. O engraçado é que na minha filosofia de criança eu me acreditava escritor, afinal já dominava a habilidade principal. Mas eu estava equivocado. Hoje percebo isso, afinal domino a escrita e nem por isso sou um escritor. Ser escritor é muito mais do que saber escrever e dominar a variante escrita da linguagem. Hoje eu sei que existem escritores que nem ao menos sabem escrever... O que define o escritor é a inspiração, existem pessoas que se tornam escritores em um minuto, e no outro o deixam de ser... Ser escritor é ser artista, contar uma história é como pintar um quadro... qualquer um poderá fazer se dominar a teoria, mas somente os que tem inspiração é que transcenderão o limite que separa o medíocre do eterno. A inspiração é uma musa que se deita com seus escolhidos, faz deles seus amantes e depois os deixa sem a menor cerimonia. Essa frase parecerá meio solta em meio as outras, mas não tenho sido escolhido como amante pela inspiração, então somente colo idéias soltas uma as outras, cabe a você decidir se elas servem ou não, se fazem sentido ou não.

Uma vez escrevi sobre uma galinha que não sabia o porque deveria atravessar a rua... é uma antiga piada, quando escrevi não possuía nenhum pensamento filosófico (não que em algum outro momento eu tenha possuído). Uma pessoa leu e fez uma análise da qual extraia significados daquela porcaria. Dizem que os sentidos de um texto são 50% do autor e 50% do leitor. Isso não tem importância, vamos para o parágrafo debaixo.

Eu adoraria que conhecimentos inúteis fosse uma matéria do meu curso superior. Eu tenho uma memória muito boa para assuntos inúteis. Não consigo lembrar a matéria da prova, mas posso te contar a história do Super-Homem Bizarro de trás pra frente. Li em algum lugar uma vez e nunca mais esqueci. Sei a história de muitos filmes, sei as críticas que li a respeito deles, mas não lembro o conteúdo de Marxismo e Filosofia da Linguagem.

Queria ter inspiração para escrever algo, que fosse no mínimo revolucionário. Não vou mentir, não tenho nem um pingo de humildade, se eu vou fazer alguma coisa essa coisa tem que ser grande. Acho que é complexo de baixinho. E acho que é melhor parar... escrever sobre nada cansa.

Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste

Nenhum comentário:

Postar um comentário