sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Os efeitos...

Krashzzzzzz!!!

Aquilo foi por pouco. Mas que louco jogaria um relógio pela janela – ainda mais um daquele tamanho. Olhou curioso para o mecanismo, parecia continuar funcionando mesmo depois de despencar de, pelo menos, dez andares. Bobagem, estava parado! Devia ser a ressaca do sono. Quando acordou jurava que tinha dormindo o dia inteiro, mas depois de sair para a calçada viu que eram ainda nove horas.

Um homem de estatura mediana irrompeu pela porta do edifício e tomou as partes do mecanismo, mexendo desesperadamente nos ponteiros e engrenagens, quase chorando. Um comportamento deveras curioso, mas não podia ficar ali olhando o que aconteceria pois já estava atrasado. Continuou a caminhada rumo ao serviço, as pessoas ao seu redor pareciam um pouco pasmas, como se não entendessem alguma coisa. Ouviu claramente uma mulher comentar enquanto passava por um salão de cabeleireiros “Como é possível, mas já era tão tarde”. Essas pessoas devem estar ficando loucas...

A caminhada foi gratificante, se sentia vivo. Avistou a construção e os companheiros com quem trabalhava, todos muito sujos e exaustos - algo muito estranho para pessoas que tinham começado a trabalhar a pouco mais de uma hora - conversando entre si e olhando para o céu e para os relógios. A obra em si também estava muito mais adiantada do que deixara no dia anterior, os outros operários não conseguiriam fazer aquilo em apenas uma hora. O que estava acontecendo...

Começaram a explicar, todos falando ao mesmo tempo... uns falavam em demônio, outros mais instruídos em extraterrestres... Chegou a conclusão que todos deviam ter bebido muito na noite anterior, assim como ele, mas que não dormiram tão bem. Foi em direção ao armário, guardou a marmita, vestiu o jaleco, colocou o capacete e munido das ferramentas rumou em direção ao elevador: tinha que prender uma viga de aço no último andar.


Aroldo Pereira da Rosa - O Chiste

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